terça-feira, 29 de novembro de 2011

Fome

Quero escrever sem drama. sem botar fogo nas palavras
nem gelo. E depois, cama!
Escrever e só. Preciso escrever, só isso.
Tomar chá de sumiço. Voltar qualquer hora.
Há vida lá fora. Há vida em todo canto.
E além disso.
Além disso. Além do mais, nada disso ou daquilo.
Fome de um doce francês que nunca comi.
Fome de...
O tempo passa. Passatempo.
Preciso andar mais de bicicleta.
Eu poderia reformular a frase acima, assim como o texto todo.
Mas enfim.
Deixa.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Roda-viva.

Retiro a poeira da mobília tão depressa aposentada
pinto a cara dos moços e das moças dos panfletos.
Onde está a pastilha elástica que deixei no colo de meu abrigo?
A dactilografar em meados de 1988, ainda em ventre materno, útero de madre.
O gênesi de meu existir. Ali.
Ortografia falha nos dias de agora. Grafia extrema que veste à superfície roupas
de seu próprio gosto, e outrora totalmente o contrário.
Fazendo da diversidade de teus dons, um marco.
Um absorto delírio diante dos factos.
O medo, ancião* reformado, deu cabo de si.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

palidez

Dia pálido. Apesar do sol a pino. Dia pálido. 
Noite pálida. Entre um sentir e outro. Noite pálida.
Entre o outro e um sentir, me sinto inválido. A vaguear pela pista de corrida. 
A flutuar sobre a auto-estrada. Alçar voo sem asas. Estou cá.
Até quando coxearei? 
Noite, que se adentra em meu imo sem eu querer.
Que gotas me faz verter. Não quero te sentir por tanto tempo assim, noite.
Preciso desabotoar-me ao sol nascer.
Preciso enxergar a vida. Preciso viver, noite.
Preciso te pedir noite: Vá embora só por um noite, e deixe o dia nascer por aqui.
Não suporto mais ser triste. E ter o semblante assim tão aparente. Ouviste?